Uma das boas coisas se morar a bordo de um veleiro é que temos a oportunidade de conhecer pessoas de vários lugares e seus costumes. As vezes eu me assusto com esses costumes...
Um francês fundeou (estacionou o barco), aqui em frente de casa e nos fez uma visita. Ele almoçou com a gente, nós almoçamos com ele etc.. Enfim, fizemos uma amizade.
Um dia ele comentou de como o abacate estava caro, mas que ele havia comprado assim mesmo porque gostava muito de abacate. Nós o convidamos para almoçar mas ele disse: Non, non obrigado! Eu já almoçei. Comi um belo abacate misturado com uma latinha de atum!
Eu estava lavando louça e quase deixei o prato cair, na mesma hora falei: Eca, que nojo! Com todas as letras, pensei alto ...
Fui indelicadíssima, e pedi mil desculpas (minha mãe vai morrer de vergonha quando ler isso!). O francês, muito educado, claro, me disse que não precisava pedir desculpas, que ele já havia percebido que nós não comíamos abacate como "salgado", somente como "doce", tipo em vitaminas, com açúcar etc..
Outra vez fomos convidados para almoçar em um veleiro de um casal de argentinos. Eles nos serviram churrasco, arroz e salada de abacate com pimenta do reino e não sei mais o que, me lembro que eu não comi a salada não...
Nós moramos em um terreno, com bananeiras, goiabeiras e um enorme pé de abacate que está carregado! Toda hora
tomo susto com algum abacate que cai do pé.
O que mais gosto de fazer com o abacate é o CHUP CHUP (assim conhecido no Espírito Santo), aqui no Rio o pessoal chama de SACOLÉ. Uma delícia!
Pena que não posso comer muito porque minha época de magricela já passou...
Abraços,
Guta


