Olá,
Para onde iremos, o regime de ventos e o estado do mar de lá, nos levou ao Guruçá Cat, um veleiro catamarã de 16,30m (Pignaton 54’), que junto com os nossos pertences e abastecido, pesará em torno de 12 toneladas. O estado do mar determinou qual seria a estrutura do veleiro, agora, o regime de ventos determinará qual será o sistema vélico a escolher. Este sistema vélico tem que ser eficiente tanto para ventos fracos quanto para ventos fortes, para ventos de proa quanto de popa.
O sistema vélico por nós escolhido, foi um sistema com 6 velas de proa e uma de popa, para que possamos ter um maior aproveitamento nos ventos fracos e proteção nos ventos fortes, e também para facilitar o ajustes das velas quando houver mudanças rápidas da intensidade dos ventos. Este sistema vélico também definiu como deveria ser a mastreação.
Por uma questão pessoal, decidi por um mastro asa e rotativo, que eu mesmo construirei, ele terá 19,30m de comprimento, três estais de proa (um para cada genoa) e uma saída dupla para dois balões. Após muitos meses de pesquisas e consultas cheguei à conclusão de que, se eu quisesse ter este mastro, da maneira que eu achava que deveria ser, eu mesmo teria que projetá-lo.
Baseado em alguns livros, projetistas de escritório e projetistas cruzeristas, dei início ao meu projeto. Dos livros eu cheguei ao perfil do mastro, dos projetistas de cruzeiro a estrutura e dos projetistas de escritório a modenidade. Então o mastro ficou assim: perfil de 66cm x 29cm, construção em laminado moldado e reforçado com fibra de carbono.
Algumas semanas atrás, iniciamos a sua construção. Cortei todas as suas 35 anteparas, enumerei-as, preguei-as, em ordem, uma em cima das outras . O resultado disso foi a formação de um pedaço maciço do mastro e nele fiz os sulcos por onde as escoas (pequenas longarinas) e as longarinas serão fixadas;
Tracei , perfurei e impermeabilizei os lugares por onde as adriças e os cabos elétricos passarão; Cortei tiras na folha de compensado para a fabricação da “alma” do mastro e as emendei de duas em duas formando 3 módulos de 4,35m e mais um com 6,25m, de sorte, que quando emendadas perfazem uma “alma” com 19,25m. Agora se juntarmos estas peças, teremos o perfil do mastro pronto para receber a sua estrutura, que são as longarinas e as escoas.
Para isso, é necessário um berço absolutamente plano e com o mesmo comprimento que o mastro terá. No nosso caso, esse berço foi construído aproveitando a estrutura do galpão. Com um nível de mangueira e algumas mãos francesas, rapidinho o berço ficou pronto.
Continua…
Postado por Fausto Pignaton


